Case Técnico: Injeção de Poliuretano em Vertedouro de Barragem com Trabalho em Altura

Nossa equipe executou o tratamento de fissuras com infiltração no vertedouro de uma barragem de concreto, por injeção de resinas de poliuretano em duas etapas: espuma hidroativada para conter a passagem de água e gel flexível para o selamento definitivo. Todo o serviço foi feito em altura, com linha de vida instalada no próprio vertedouro, e concluído sem registro de acidentes.

Em estruturas hidráulicas, uma fissura com percolação pode deixar de ser apenas um defeito superficial. Com o tempo, a passagem de água geralmente favorece a lixiviação do concreto e a corrosão das armaduras, o que tende a reduzir a durabilidade da estrutura e aumentar o custo de intervenções futuras.

O Desafio

O vertedouro apresentava uma trinca principal com infiltração e, ao longo da obra, outras fissuras que também exigiam tratamento. Como a resina injetada diretamente em um ponto com água pode ser carreada pelo fluxo antes de curar, o tratamento de infiltrações em estruturas hidráulicas geralmente exige uma etapa prévia de contenção.

As condições de execução somavam outra camada de complexidade. As frentes de trabalho ficavam em altura, sem pontos de ancoragem prontos, em área com risco de animais peçonhentos e sem energia disponível no local. O prazo contratual da primeira etapa também era curto.

O Diagnóstico

A leitura técnica em campo considerou a presença de água, a abertura e a movimentação de cada trinca, os mesmos critérios que orientam a escolha do material na injeção em fissuras. A partir dela, cada condição recebeu um sistema próprio:

  • Fissuras com passagem de água: pré-injeção de espuma de poliuretano hidroativada, que reage em contato com a água e pode conter o fluxo em poucos segundos.
  • Selamento definitivo: gel de poliuretano bicomponente de baixa viscosidade, capaz de penetrar fissuras finas e manter a elasticidade após a cura, o que pode ser indicado para estruturas sujeitas a pequenas movimentações térmicas e de carga.
  • Furos de acesso: argamassa de pega ultrarrápida, própria para tamponamento de pontos sujeitos a fluxo de água.

A solução Executada

A sequência foi planejada para que cada etapa criasse a condição necessária para a seguinte.

  1. Preparação e acesso: limpeza do acesso, montagem da linha de vida com ganchos de ancoragem e cabo de aço, e alimentação dos equipamentos por gerador portátil.
  2. Perfuração e instalação dos bicos: furos ao longo das fissuras, com instalação de válvulas de injeção (packers) para conduzir a resina ao interior do concreto.
  3. Contenção do fluxo: nas fissuras com passagem de água, injeção da espuma hidroativada antes do gel.
  4. Selamento definitivo: injeção do gel pelos mesmos bicos, etapa que completa o sistema de injeção de poliuretano e preenche a fissura de forma flexível.
  5. Acabamento: remoção dos bicos, tamponamento dos furos dos bicos e das ancoragens com argamassa de pega ultrarrápida e limpeza dos equipamentos.


Somando as duas mobilizações, foram quase 500 pontos de injeção ao longo do vertedouro.

Desafios Superados

  • Trabalho em altura (NR-35): linha de vida dimensionada e instalada no vertedouro, com acompanhamento de técnico de segurança e engenheiro durante a montagem.
  • Controle diário de EPIs: inspeção dos cintos de segurança tipo paraquedista e das ferramentas antes de cada jornada.
  • DDS: diálogos diários de segurança sobre risco de queda e orientação sobre animais peçonhentos.
  • Escopo ampliado: após a entrega da primeira etapa, o cliente solicitou o tratamento de novas fissuras. A equipe remobilizou materiais e pessoal em poucos dias e executou o serviço adicional com a mesma sequência técnica.


Toda a obra foi executada sem registro de acidentes.

O Resultado

A trinca principal e as fissuras adicionais foram injetadas, os bicos removidos e todos os furos tamponados, deixando a superfície do concreto sem pontos abertos. A primeira etapa foi entregue dentro do prazo contratual, com acompanhamento do engenheiro responsável pelo cliente, e a confiança no resultado levou à ampliação do escopo na mesma obra, algo recorrente na nossa atuação em barragens e energia.

Por que Essa Abordagem Funcionou

Cada material cumpriu uma função específica: a espuma controlou a água no momento da injeção, o gel garantiu um selamento capaz de acompanhar as movimentações da estrutura e a argamassa fechou os acessos sem criar novos caminhos para a percolação. A combinação de técnica de injeção com planejamento de segurança para trabalho em altura permitiu executar em um ponto de acesso difícil sem comprometer prazo nem integridade da equipe.

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