Tratamento de Infiltração de uma PCH com Injeção de Poliuretano em Minas Gerais

Ao longo de cinco dias úteis, a equipe técnica da Paramétrica executou o tratamento das infiltrações ativas que comprometiam a rampa de cobertura da casa de máquinas de uma Pequena Central Hidrelétrica em Minas Gerais, operada por uma concessionária do setor elétrico. A intervenção exigiu acesso por sistema de ancoragem alpinista, perfuração e instalação de 276 bicos injetores e a aplicação de aproximadamente 358 litros de resina de poliuretano, entre espuma e gel.

O desafio: infiltrações ativas em estrutura crítica de geração

A rampa que cobre a casa de máquinas de uma PCH protege o coração da unidade geradora — turbinas, geradores, painéis elétricos e cabeamento de alta tensão. Qualquer falha de estanqueidade nesse elemento expõe equipamentos sensíveis à umidade e, em última instância, ao risco de parada não programada da usina, com perda de receita e custos contratuais com o operador do sistema.

Quando fomos chamados, a estrutura apresentava sinais clássicos de comprometimento de longa duração: lixiviação do carbonato de cálcio em várias faixas da superfície — as eflorescências brancas características de água percolando lentamente pelo concreto e depositando sais na face externa —, oxidação próxima às juntas de concretagem e fissuras com fluxo ativo. As manchas escuras descendo pela face inclinada indicavam que a água havia encontrado caminhos preferenciais por dentro da massa de concreto.

 

Esse quadro não se resolve com impermeabilização superficial. Aplicar um revestimento sobre a face externa quando a água já circula por dentro do concreto é, na prática, esconder o problema sem tratá-lo. A intervenção precisava ser feita pelo interior da estrutura, sob pressão, com um produto capaz de polimerizar em contato com a água presente.

Diagnóstico em campo: o que o projeto não mostrava

O ponto que mais nos chamou atenção surgiu na perfuração do quarto dia. O concreto da laje não era homogêneo: a primeira camada media cerca de cinco centímetros, seguida de outra camada de concreto e, mais vinte centímetros adiante, um vazio interno. Esse tipo de estratificação é comum em estruturas hidráulicas antigas, construídas em fases ou com retomadas de concretagem espaçadas, e raramente está documentado nos desenhos as built da obra original.

Para a injeção de resina, isso significa que o produto não percorre um caminho previsível e o volume aplicado por ponto pode variar bastante. Por outro lado, esse mesmo padrão ajudava a explicar o vazamento: ao perfurar, observamos que o fluxo de água subia pelas perfurações conforme avançávamos, o que confirmou a hipótese inicial — a infiltração se acumulava no vazio interno antes de procurar saída pelas juntas externas. Ajustamos o plano de injeção a partir desse diagnóstico em campo, redistribuindo pontos para alcançar o vazio interno e selá-lo antes de fechar as juntas superficiais. Esse tipo de ajuste só acontece com leitura ativa da estrutura durante a execução — nenhum projeto antecipa todas as condições reais de uma obra com décadas de operação.

A solução: injeção de poliuretano em duas etapas

A tecnologia escolhida foi a injeção de poliuretano em sua configuração mais robusta para esse tipo de patologia: a aplicação combinada de espuma e gel de poliuretano flexível.

A lógica é a seguinte. A espuma, ao entrar em contato com a água, expande rapidamente e estanca temporariamente o fluxo, permitindo que o restante da intervenção aconteça sem perda contínua de produto. Em seguida, com o vazamento sob controle, aplica-se o gel, responsável pela estanqueidade definitiva.

O gel apresenta baixa viscosidade, excelente aderência ao concreto úmido e, depois de polimerizado, mantém alguma elasticidade — característica essencial em uma estrutura sujeita à vibração permanente do conjunto turbina-gerador. Uma resina rígida tenderia a apresentar microfissuração com o tempo; o poliuretano flexível acompanha o pequeno movimento natural da estrutura sem perder o selamento.

Vale registrar que o poliuretano flexível não tem função estrutural — não recompõe a monoliticidade do concreto. Sua função é restabelecer a estanqueidade, parando o avanço da deterioração e dando à estrutura mais décadas de operação útil.

Execução: ancoragem alpinista, NR-35 e disciplina diária

O primeiro dia foi dedicado à inspeção da área, identificação de riscos e abertura dos documentos formais da obra. No segundo dia, instalamos o sistema de ancoragem alpinista para o trabalho em altura na face inclinada da rampa, com orientações de uso de cordas, vistoria de EPIs e organização da área. Toda a operação seguiu os procedimentos da NR-35, com Diário de Obra e Diário de Segurança emitidos diariamente.

A partir daí, a sequência se repetiu em cada dia seguinte: marcação dos pontos, perfuração com furadeira pneumática, instalação dos bicos injetores (packers), injeção de espuma para estancamento temporário, injeção de gel para selamento definitivo, limpeza dos resíduos químicos e acompanhamento pelo encarregado em campo. As orientações sobre manuseio de produtos químicos foram repetidas no início de cada dia de aplicação.

No quinto dia, com a infiltração estancada, executamos uma injeção de repasse para garantir que nenhum ponto crítico tivesse sido subdosado. Em seguida, tomamos uma decisão técnica relevante: manter os bicos injetores instalados em vez de removê-los. O tempo decorrido desde a injeção principal já permitia a polimerização parcial do produto, e a remoção dos bicos poderia abrir novos caminhos para a água justamente na estrutura que buscávamos fechar. A obra foi encerrada com limpeza geral, fechamento das documentações e desmobilização da equipe.

Os números consolidados da intervenção

IndicadorVolume
Duração total5 dias úteis
Bicos injetores instalados276
Espuma de poliuretano aplicada128 litros
Gel de poliuretano aplicado230 litros
Volume total de resina~358 litros
Sistema de acessoAncoragem alpinista (NR-35)
DocumentaçãoRDO e RDS diários

Resultado e durabilidade esperada

Ao final da intervenção, a rampa apresentou estanqueidade restabelecida em todos os pontos tratados. A resina de poliuretano flexível, quando bem aplicada em estrutura corretamente preparada, mantém suas propriedades de selamento por décadas em condições normais de operação, e a estrutura volta a desempenhar plenamente sua função de proteção dos equipamentos eletromecânicos abaixo.

A combinação espuma e gel oferece uma vantagem sobre soluções de impermeabilização externa: atua dentro do concreto. Mesmo que a face externa sofra desgaste ao longo dos anos, o caminho da água continua bloqueado pelo selamento interno. É uma intervenção que envelhece bem.

Quando esta solução se aplica

A injeção de poliuretano com espuma e gel é a abordagem recomendada sempre que há infiltração ativa, necessidade de tratamento por dentro do concreto e não por revestimento superficial, estrutura em operação que não pode ser desligada por longo tempo, e fissuras passivas ou de baixa movimentação em juntas de concretagem ou de dilatação. É a solução técnica padrão para estruturas hidráulicas como vertedouros, casas de força, galerias, tomadas d’água, câmaras de carga, reservatórios e túneis.

Para PCHs, UHEs e demais empreendimentos do segmento de geração, esse tipo de intervenção integra a manutenção preventiva e corretiva das estruturas civis. Conheça mais sobre os serviços da Paramétrica para o segmento de Barragens e Energia.